São Paulo, 20 - As Bolsas de Nova York acentuaram a queda ontem e fizeram o Ibovespa praticamente zerar a alta - que chegou a mais de 1% pela manhã -, conforme crescem as preocupações com o custo de financiamento da dívida americana e com a falta de resolução do conflito no Oriente Médio.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse ontem que "dificilmente" os ataques contra o Irã serão retomados, mas ainda assim enfatizou que o país terá "as sanções mais duras da história". Teerã porém não retrocedeu, condenou as pressões econômicas e disse que "permanece firme e determinado a defender sua segurança e interesses nacionais".
Como resultado, o petróleo subiu mais de 2%, com o Brent próximo de US$ 94 por barril, e reacendeu preocupações com a inflação global, puxando os juros dos Treasuries e dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). Na esteira, Dow Jones (-1,32%), Nasdaq (-1,00%) e S&P 500 (-0,87%) recuaram, com as ações do Walmart despencando quase 9% após a divulgação do balanço trimestral. O Ibovespa encerrou o dia aos 167.927 pontos, alta de 0,06%, bem aquém da vista no início do pregão de ontem.
A leve alta do Ibovespa foi amparada nas commodities. Porém, apesar dos ganhos de Petrobras (2,97%, PN) e Vale (2,59%, ON), a pressão do exterior e do setor financeiro limitou os ganhos do dia, em um período marcado por aversão ao risco com ativos locais.
"Não há um veredicto em relação aos Estados Unidos e o Irã, então o mercado vem sentindo aos pouquinhos, tendo em vista, especialmente, que o petróleo subiu mais de 2%", afirmou Luan Aral, trader e especialista da Genial Investimentos.
A alta de ontem da Bolsa, a segunda seguida depois de 11 quedas consecutivas, nem de longe representa uma melhora sustentável do mercado diante da forte debandada de estrangeiros ao longo deste mês. A retirada de recursos, já em quase R$ 21 bilhões neste mês até o dia 18, reflete justamente o cenário negativo lá fora, além da procura por ações do setor de tecnologia, que vêm oferecendo melhores alternativas depois de uma sequência de ofertas de ações.
CÂMBIO
O dólar também ganhou terreno contra o real, cotado a R$ 5,19, alta de 0,32%, alinhado ao comportamento da divisa americana no exterior.
Estadão Conteúdo