O universo dos muros e das ruas ganha novas dimensões em Fantasia Concreta, exposição individual de Camilla Siren que será aberta ao público em 15 de outubro, na Galeria Rubem Valentim, no Espaço Cultural Renato Russo. A partir de 5 de outubro, a artista inicia a montagem da mostra, que reúne obras inéditas desenvolvidas ao longo de 2026 e marca uma nova etapa de sua pesquisa artística.
Depois de mais de uma década dedicada ao graffiti e ao muralismo, Camilla amplia sua investigação para as possibilidades narrativas da pintura e do espaço expositivo. Em vez de uma obra isolada no ambiente urbano, a proposta agora é construir uma experiência contínua, em que as pinturas estabelecem relações entre si e conduzem o visitante por diferentes camadas de memória, imaginação e percepção do cotidiano.
Fantasia Concreta parte do desejo de explorar aquilo que surge entre realidade e invenção. Memórias de infância, relações afetivas, paisagens do Cerrado, conversas e imagens vindas dos sonhos aparecem como pontos de partida para a criação de novos universos.
A mudança de ambiente também altera a relação da artista com o processo criativo. Se na rua o trabalho precisa dialogar com a arquitetura, o movimento da cidade e situações que escapam ao seu controle, dentro da galeria Camilla constrói uma narrativa mais íntima e planejada.
A fantasia, nesse contexto, não aparece como uma fuga da realidade. A proposta é olhar para o cotidiano por outras perspectivas e perceber possibilidades escondidas em situações, lembranças e elementos que fazem parte da experiência diária.
Do cotidiano ao sonho
A exposição é dividida em três séries: Realismo Mágico, Contos Fantásticos e Devaneios. Juntas, elas estabelecem um percurso que parte de situações reconhecíveis e avança gradualmente para universos imaginários e territórios mais subjetivos, ligados à memória e aos sonhos.
A organização das obras busca fazer com que o visitante não apenas observe pinturas individualmente, mas perceba as conexões entre elas e construa suas próprias interpretações ao longo do percurso.
Projeto
Fantasia Concreta é resultado de um projeto realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF). A iniciativa começou meses antes da exposição e também contempla ações de formação e contrapartida social.
Em junho, Camilla esteve no Instituto Federal de Brasília (IFB), Campus Taguatinga, onde ministrou a oficina gratuita Spray na Prática. A atividade apresentou técnicas de graffiti aos estudantes e buscou aproximar jovens e adultos da cultura Hip Hop, da produção artística e das possibilidades profissionais relacionadas à economia criativa.
O projeto também prevê a doação de três obras para espaços públicos e acervos culturais do Distrito Federal, além de uma campanha de arrecadação de materiais artísticos para o IFB Campus Taguatinga, com o objetivo de contribuir para a continuidade das atividades formativas.
A acessibilidade também está prevista na exposição. Obras e conteúdos terão recursos de audiodescrição disponibilizados por QR Codes, além de atendimento especializado para pessoas com deficiência visual mediante agendamento. A mostra também poderá contar com intérprete de Libras conforme a demanda.
Trajetória
Artista visual e grafiteira brasiliense, Camilla Siren desenvolve desde 2014 uma produção marcada pela representação de mulheres, pela relação com a natureza e pela ocupação do espaço urbano.
Sua trajetória reúne trabalhos em muros e diferentes suportes, além de pesquisas em pintura, ilustração e experimentação. Ao longo dos anos, a artista também ampliou sua atuação para projetos autorais e ações de formação.
Entre os reconhecimentos recebidos está o Prêmio Cultura Brasília 60, concedido pelo Fundo de Apoio à Cultura. Camilla também é autora de Siren Concreta, publicação lançada em edição bilíngue e em Braille.
Com Fantasia Concreta, a artista leva para dentro da galeria uma pesquisa construída ao longo de anos nas ruas e propõe ao público um percurso em que realidade, memória e imaginação se encontram.