SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Após a proibição das casas de apostas online, promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os clubes da Série A passam a se preocupar com a possível perda de valores de patrocínio.

Dos 20 times da Série A, 14 possuem patrocínio máster ligado às bets: Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Vasco, Santos, Vitória, Remo, Chapecoense e Grêmio.

Os patrocínios somam um total de R$ 910 milhões. O Flamengo lidera o ranking, recebendo R$ 220 milhões fixos de patrocínio por ano. Corinthians (R$ 150 milhões) e Palmeiras (R$ 100 milhões) completam o pódio.

São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Vasco e Santos arrecadam entre R$ 90 milhões e R$ 35 milhões com o patrocínio das bets. Vitória (R$ 20 milhões), Remo (R$ 12 milhões) e Chapecoense (R$ 10 milhões) são as equipes que possuem os menores valores.

O Grêmio é o único que não anunciou os valores que recebe. O Imortal fechou um contrato de patrocínio com uma casa de apostas na última quarta-feira (23), em meio à polêmica sobre a possível proibição das bets.

Os valores já citados, no entanto, podem ser ainda maiores. A maioria dos contratos de patrocínio das bets possui bônus aos times por títulos e desempenho esportivo. No caso do Palmeiras, por exemplo, os bônus podem chegar até R$ 70 milhões por ano — aumentando o valor total para R$ 170 milhões.

Os valores explicam porque os times soltaram um manifesto contra a Medida Provisória (MP) que proíbe as bets. Atualmente, um em cada três reais das receitas comerciais da Série A vem das casas de aposta.

Em 2025, os clubes da primeira divisão arrecadaram R$ 1,03 bilhão com patrocínios das bets. No manifesto, as equipes consideraram a MP como o "fim do futebol brasileiro". Algumas casas de apostas passaram a notificar extrajudicialmente os seus clubes sobre rescisão de contrato caso a MP fosse aprovada.

O que muda com a MP que proíbe as bets

Após o anúnico da MP, o governo vai enviar ao Congresso um Projeto de Lei (PL), em regime de urgência, para punir as empresas que promoverem apostas online no Brasil. Os apostadores que tiverem dinheiro em casas de apostas terão até 23h59 da próxima segunda-feira (28) para retirar voluntariamente o dinheiro das plataformas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, caso os apostadores não consigam retirar o valor até 5 de outubro, os bancos que operam para as bets farão a devolução.

Sites e aplicativos de apostas saem do ar a partir do dia 6 de outubro. Segundo o governo, as empresas também terão até o dia 5 para retirar todas as peças e ações de publicidade, tanto em meios físicos como digitais. O mesmo prazo será dado para a retirada de marcas oriundas de contratos de patrocínio.

A medida provisória passa a valer assim que for publicada no Diário Oficial da União. No entanto, precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar uma lei. Caso não seja votado no prazo, o texto perde a validade.

O governo também anunciou medidas de fiscalização. Entre elas, a proibição de qualquer transferência bancária para apostas, o bloqueio de contas usadas para apostar ilegalmente, a identificação e a derrubada de sites ilegais.