São Paulo, 20 - O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), afirmou ontem - em agenda na capital paulista ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) - que deseja entrar para a história do País, "nem que seja como presidente de transição".

Flávio tem dito que não disputaria a reeleição caso vença este ano, e Tarcísio é apontado como um provável nome à direita em 2030. Anteontem, o governador de São Paulo admitiu pela primeira vez a possibilidade de disputar o Palácio do Planalto no futuro

A declaração de Flávio - em meio a elogios do senador a Tarcísio - ocorreu durante um encontro com comerciantes e empresários da zona leste de São Paulo em um restaurante da região. "O (ex-)presidente (Jair) Bolsonaro foi o maior exemplo de alguém que conseguiu montar um time de galácticos, como a gente chama no futebol. Um deles está aqui, que é o Tarcísio", disse o candidato à Presidência. "O Tarcísio entrou para a história como ministro da Infraestrutura do Bolsonaro e o Tarcísio já entrou para a história como governador de São Paulo. E eu pretendo entrar para a história, Tarcísio, nem que seja como presidente de transição", disse.

Anteontem à noite, o governador havia concedido duas entrevistas à rádio Jovem Pan. A primeira foi uma sabatina transmitida ao vivo; a segunda, uma sessão de perguntas rápidas, em que o candidato poderia responder apenas "sim", "não" ou "talvez".

Foi nesta segunda etapa, cujo vídeo foi publicado posteriormente nas redes sociais, que Tarcísio foi questionado sobre a possibilidade de ser candidato à Presidência da República no futuro. "Talvez", respondeu o governador.

Tarcísio nunca tinha afirmado que poderia se candidatar ao Planalto. Por outro lado, nunca descartou a possibilidade publicamente. Antes de Flávio ser indicado por Bolsonaro, Tarcísio respondia que seu foco era a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes e dizia que não se preocupava com uma candidatura presidencial.

NUNES

Flávio realizou ontem suas primeiras agendas de campanha na capital paulista. Os eventos, na zona leste da cidade, foram organizados com o apoio do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cujas declarações de apoio ao senador foram as mais enfáticas. O prefeito disse a Flávio que há um "exército" disposto a lutar pelo País e pediu que os candidatos da chapa incluam o número de urna do candidato do PL em seus santinhos - o MDB, partido de Nunes, não declarou apoio a nenhum dos postulantes à Presidência

Nunes pretende articular outras agendas do senador na capital paulista, numa tentativa de ajudá-lo a angariar votos onde o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), costuma levar vantagem. "São Paulo vai fazer a diferença", disse o prefeito.

CASAS BAHIA

Tarcísio e Flávio citaram a Casas Bahia, que entrou com um pedido de recuperação judicial. "Olha o que está acontecendo com o nosso empreendedor, apertado pela insegurança jurídica, apertado pelo crédito, endividado, fechando as portas. Ponham-se no lugar daquele trabalhador que passou 20 anos trabalhando na mesma empresa e que agora está perdendo o emprego", disse o governador.

"A gente precisa resgatar a esperança. A gente viveu um tempo de esperança com Jair Messias Bolsonaro, e a gente tem oportunidade de resgatar essa esperança."

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