VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS


Fernanda Montenegro e Antonio Fagundes denunciaram o uso não autorizado de suas imagens em anúncios de medicamentos para Alzheimer, incluindo uma propaganda que prometia benefícios e até a cura da doença.

Em vídeo publicado nesta quinta-feira (10) no Instagram, os dois artistas classificaram os anúncios como falsos e criminosos. Eles alertaram o público para o risco de ser enganado por propagandas que podem influenciar decisões relacionadas à saúde.

"Quero denunciar e protestar o uso agressivo, ofensivo da minha pessoa, usada como locutora e usuária de um tipo de remédio indicado até por um médico", disse Fernanda.

Segundo a atriz, o anúncio atribuía ao produto efeitos que iam além do alívio de sintomas e prometia, de forma enganosa, a cura da doença.

"Esse remédio, milagrosamente, não só alivia o desassossego físico dos idosos, como principalmente até cura os que têm Alzheimer. Esse falso anúncio é um ato criminoso", afirmou.

Antonio Fagundes também relatou o uso de sua imagem para a venda de medicamentos e disse que não autorizou a associação de seu nome aos produtos.

"Uma empresa aí qualquer tem usado minha imagem para vender remédios. É falso, é mentiroso, é ofensivo, é criminoso", afirmou o ator.

Fagundes alertou que a situação pode ter consequências que vão além da violação do direito de imagem, especialmente quando uma pessoa conhecida é usada para transmitir uma falsa sensação de segurança sobre um produto de saúde.

"Essa atitude criminosa é mais grave ainda quando pode ameaçar a vida e a integridade de outras pessoas. Por favor, não se deixem enganar por falsas mensagens", disse.

No caso do Alzheimer, promessas de cura ou de efeitos milagrosos exigem atenção especial. A doença ainda não tem cura, e os tratamentos disponíveis têm objetivos específicos, que podem incluir o controle de sintomas ou o retardamento da progressão do declínio cognitivo em determinados pacientes.

Uma revisão publicada em maio na Cochrane Library, base internacional de análise de evidências científicas, questionou a relevância clínica de medicamentos desenvolvidos para reduzir as placas da proteína beta-amiloide no cérebro.

Essa proteína é produzida naturalmente pelo organismo, mas pode se acumular de forma anormal entre os neurônios em pessoas com Alzheimer. O processo prejudica a comunicação entre as células e está associado à degeneração cerebral característica da doença.

A análise reuniu 17 ensaios clínicos sobre diferentes medicamentos que atuam sobre essas placas. Segundo a revisão, embora os fármacos possam reduzir o acúmulo de beta-amiloide, não foi demonstrado impacto clinicamente relevante na capacidade dos pacientes de realizar atividades cotidianas. Os efeitos foram descritos pelos autores como pequenos, na melhor das hipóteses.

Especialistas também apontam limitações na revisão, mas reconhecem que os benefícios observados com essas terapias são modestos. Dois medicamentos dessa classe, donanemabe e lecanemabe, já foram aprovados para uso no Brasil.