A língua como ferramenta de comunicação, mas também como espaço de humor, identidade e encontro. É a partir dessa ideia que Gregório Duvivier apresenta “O Céu da Língua”, espetáculo que transforma as palavras em matéria-prima para uma celebração da linguagem, nesta quinta (10) e sexta-feira (11), no Ulysses Centro de Convenções.

Para o ator, a proposta vai além de falar apenas sobre o português. “É uma festa em torno das palavras”, define. Em cena, a língua aparece como uma característica essencial do ser humano e como instrumento capaz de criar diferentes formas de expressão, inclusive quando quem fala não domina completamente aquilo que está dizendo.

Depois de passar por cerca de dez países e 50 cidades, Duvivier destaca que cada apresentação ganha características próprias. Em Brasília, essa relação com a linguagem encontra um cenário especialmente fértil. Para ele, a capital reúne diferentes sotaques e variantes do português brasileiro, formando uma espécie de “caldeirão” linguístico.

Foto: Divulgação/Priscila Prade

A relação do artista com Brasília, porém, vai além do espetáculo. Fã declarado da cidade, Duvivier conta que possui uma ligação afetiva com a arquitetura modernista da capital. Ele cita Lúcio Costa e Oscar Niemeyer entre os nomes que representam um projeto de Brasil que ainda considera possível. “Eu ainda acredito no Brasil do Lúcio”, afirma. Para o ator, Brasília pode apontar justamente para esse desejo de imaginar um país diferente, construído a partir de novas premissas.

A montagem é dirigida por Luciana Paes, parceira de Gregório Duvivier em “Portátil” e em trabalhos do Porta dos Fundos. Na encenação, a diretora opta por um palco mais enxuto, deixando o texto e a atuação no centro da experiência. A música de Pedro Aune, no contrabaixo, e as projeções assinadas por Theodora Duvivier, irmã de Gregório, ajudam a criar o ambiente da peça.

Durante cerca de 85 minutos, Gregório percorre diferentes formas de usar a língua no dia a dia. Expressões populares, mudanças provocadas pelas reformas ortográficas, códigos que surgem entre pessoas próximas e palavras que ganharam novos significados aparecem ao longo da apresentação. O humor é usado para tratar desses assuntos sem transformar a experiência em uma aula sobre português.

Theodora Duvivier. - Foto: Divulgação/Priscila Prade

A literatura também aparece de maneira menos convencional. A peça parte da percepção de que a poesia pode estar em uma música, em uma conversa ou até em uma expressão cotidiana. É nesse encontro entre situações comuns, referências literárias e humor que o espetáculo constrói sua relação com as palavras.

“O Céu da Língua” nasceu inicialmente como uma homenagem aos 500 anos de Luís de Camões e marcou o retorno de Gregório ao teatro com um texto inédito após cinco anos. Formado em Letras pela PUC-Rio e autor de livros de poesia, o ator leva para o palco uma relação antiga com a literatura, mas busca apresentá-la de uma maneira próxima e acessível ao público.

Serviço: 
Espetáculo: “O Céu da Língua”
Datas: 10 e 11 de setembro
Local: Ulysses Centro de Convenções
Horário: 19h e 21h30
Ingressos