Neste Dia Internacional da Música, celebrado em 1º de outubro, a arte que reúne pessoas, desperta talentos e atravessa barreiras sociais também ganha outro significado na Cidade Estrutural. Há 25 anos, o Instituto Reciclando Sons utiliza a música como ferramenta de inclusão, formação e desenvolvimento de jovens e crianças da região. Ao longo de sua trajetória, a organização afirma já ter formado 12 mil alunos e atendido 50 mil pessoas por meio de seus serviços sociais.
O trabalho faz parte de um programa socioassistencial que reúne projetos de diferentes áreas, entre elas arte e cultura. Atualmente, uma das iniciativas em execução é o Juventude Digital em Concerto – Formação Tecnológica Aplicada à Música e IA, que aproxima adolescentes e jovens da música e das novas tecnologias.
Foto: DivulgaçãoA proposta oferece capacitação gratuita em produção musical digital, inteligência artificial, práticas vocais, práticas instrumentais e comunicação digital. Os participantes também tem oficinas de instrumentos, arranjos e ensaios coletivos, em uma formação que une conhecimento artístico e possibilidades profissionais.
Segundo a maestra Rejane Pacheco de Carvalho, coordenadora social do Instituto Reciclando Sons, cerca de 11 mil pessoas já foram atendidas pelas ações do projeto. Entre as principais mudanças percebidas estão a melhora da autoestima, da adaptação social e do rendimento cognitivo, além da descoberta de habilidades artísticas. “Cada história tem a sua peculiaridade. A música é um meio de inserção social. Alguns utilizaram esta habilidade para desenvolver em outras áreas também”, conta Rejane.
Para a maestra, o impacto da música não está apenas no aprendizado de cantar ou tocar um instrumento. O contato com a arte também pode ajudar os jovens a perceber novas possibilidades para suas próprias trajetórias. “A música supera as barreiras sociais. Quando um talento sobe ao palco, seu status social não é avaliado”, afirma.
Foto: DivulgaçãoÉ no palco, justamente, que diferenças sociais dão lugar ao talento e ao trabalho coletivo. Para Rejane, a música também funciona como uma forma de comunicação que ultrapassa a linguagem verbal e pode aproximar pessoas. “Por ser uma linguagem neural, tem o poder de equalizar emoções e comportamentos e unir pessoas em prol de um ideal”, explica.
A atuação ganha ainda mais importância em uma região que convive com diferentes desafios sociais. Na avaliação da maestra, a música pode contribuir para a convivência e para o desenvolvimento humano, além de representar uma alternativa de expressão para os jovens. “É um instrumento importantíssimo em ambientes tomados pela violência social e relacional”, diz.
Foto: DivulgaçãoMúsica como possibilidade
O Instituto Reciclando Sons não concentra sua atuação apenas na formação musical. A organização também oferece cursos profissionalizantes em áreas como panificação e confeitaria, informática e segurança alimentar, além de ações de fomento cultural e artístico.
A música, entretanto, ocupa um lugar importante nessa trajetória. Ao aprender um instrumento, participar de um coral ou integrar um ensaio coletivo, os alunos também experimentam disciplina, convivência e a possibilidade de descobrir uma habilidade que até então desconheciam. Para Rejane, essa descoberta pode ser o primeiro passo para outras mudanças. “A música tem sustentado a vida”, resume.