A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) classificou como “desumana” a postura da direita e de Flávio Bolsonaro em relação a Cleitinho, governador eleito de Minas Gerais. Durante participação no programa “Sala de Imprensa”, ela afirmou que o grupo político não respeitou o luto do político após a morte do irmão dele, vítima de câncer.

Eu ainda estava almoçando no Cantinho Gourmet, em Sintra, com as amigas, quando vi Ana Elisa botar o dedo nessa ferida. E vou dizer: quando entra morte de irmão no meio de cálculo eleitoral, não existe espaço para frieza disfarçada de estratégia, minha gente.

Segundo a deputada, uma semana após a morte do irmão de Cleitinho, Flávio Bolsonaro escolheu outro candidato para disputar o governo mineiro. “Então ele não respeitou o luto do Cleitinho”, afirmou Ana Elisa. “O que fizeram com ele foi uma das coisas mais horrendas que eu já vi na política.”

Deputada citou a morte do irmão do governador eleito como marco da ruptura política

Ana Elisa sustentou que a atitude representou uma traição política irreparável contra um aliado. Eu fiquei mexendo no guardanapo e pensando que política pode ter rompimento, acordo desfeito e disputa de poder, mas humanidade não devia ser uma cláusula opcional nesse contrato.

A parlamentar disse esperar que Cleitinho reconheça o que considera uma ruptura da direita com ele. “Eu espero que, dentro dele, ele saiba que o que fizeram com ele foi irreparável”, declarou, ao defender que a vitória do governador eleito não decorreu apenas de alianças partidárias.

Para Ana Elisa, os votos recebidos por Cleitinho em Minas refletem força popular própria. Ela afirmou que a direita teria concentrado apoio no nome escolhido por Flávio Bolsonaro, enquanto o governador eleito conquistou um eleitorado que ultrapassou esse campo político.

Cleitinho foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno

Eu acho que ela acertou num ponto: quando um candidato vence apesar de uma articulação partidária, essa vitória muda a conta de quem achava que podia tratá-lo como peça de reposição. Cleitinho não virou governador eleito por acidente, e ninguém deveria confundir voto popular com favor de bastidor.

Ana Elisa resumiu a crítica dizendo que Cleitinho precisa seguir seu próprio caminho depois do que classifica como abandono. Eu sigo à mesa, já de olho na viagem para Cascais, pensando que algumas traições políticas acabam no noticiário; outras ficam marcadas para sempre em quem teve de enfrentar o luto no meio da campanha.