O goleiro Vozinha, de 40 anos, afirmou que perdeu a tranquilidade depois de virar um dos grandes nomes da Copa do Mundo com a seleção de Cabo Verde. O jogador do Colo-Colo ganhou projeção internacional após ajudar o país a segurar um empate sem gols contra a Espanha e agora diz sentir falta da rotina que levava antes da fama.

Eu já tinha chegado ao Cais do Sodré e esperava o Ascensor da Bica para voltar ao Bairro Alto Hotel quando li essa história. E senti pena, porque tem gente que olha para um milhão de seguidores e enxerga festa; Vozinha olhou e entendeu que não ia mais conseguir comer num restaurante sem alguém transformar o jantar dele em documentário.

Destaque contra a Espanha, Vozinha admite que preferia a vida antes da fama: “Perdi a minha paz”.

“Perdi a minha paz”, resumiu o goleiro em entrevista ao jornal britânico The Observer. Ele contou que a mudança foi imediata depois da atuação contra os espanhóis e que a exposição mexeu diretamente com a vida fora do campo.

“Agora saio, vou a um restaurante, e sempre tem alguém querendo tirar uma foto comigo, ou pior, me filmando. Isso é o que mais mudou na minha vida e acho que não há nada que eu possa fazer a respeito”, declarou. Meu amor, a fama chega prometendo aplauso e entrega câmera na sua mesa antes da sobremesa.

Vozinha afirmou que tem muito menos privacidade do que tinha antes do torneio. Questionado se escolheria a vida atual ou a antiga, ele foi direto: preferiria a rotina anterior. Não é rejeitar carinho de fã, é entender que ser reconhecido o tempo inteiro pode virar uma prisão dourada para quem só queria ser goleiro e jantar em paz.

Eu entrei no ascensor pensando que o homem fez defesa atrás de defesa contra a Espanha, encarou atacante mundialmente famoso, saiu como herói de Cabo Verde e, no fim, foi derrotado pelo flash de celular na hora de pedir a conta. A vida moderna tem umas prorrogações muito maldosas.

O goleiro contou que percebeu a dimensão da repercussão quando uma jornalista mostrou o crescimento de seus seguidores. “Aí que eu vi que tinha mais de um milhão de seguidores”, lembrou. Para não virar refém dos números, ele desativou as notificações do Instagram.

Aos 40 anos, Vozinha virou um dos personagens da Copa do Mundo, mas confessa sentir falta de sair de casa sem ser filmado ou abordado por fãs.

Indicado à Bola de Ouro de melhor goleiro, Vozinha dividiu o reconhecimento com os companheiros da seleção cabo-verdiana. “É bom sentir-me como uma espécie de embaixador, mas tudo que conquistamos foi com o esforço coletivo. Fizemos história. Só de estar nessa lista já é uma grande honra”, disse.

Eu desci no Bairro Alto com uma conclusão: fama é ótima até invadir sua mesa, seu celular e seu silêncio. Vozinha fez história por Cabo Verde, ganhou o mundo e um milhão de seguidores. Mas, pelo que conta, ainda está tentando recuperar uma coisa que não cabe em troféu nenhum: a paz de sair de casa sem precisar virar conteúdo.