FOLHAPRESS

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (30) que um dos pilotos de um voo da Flydubai de Dubai para Tel Aviv esfaqueou o outro e tentou derrubar o avião com todos os passageiros a bordo. O episódio, tratado como um possível ataque terrorista, obrigou a aeronave a desviar para a Arábia Saudita.

A Flydubai informou que o avião foi colocado sob controle pela tripulação da companhia que estava a bordo, com um desvio da rota e pouso em segurança no aeroporto de Tabuk. Segundo a empresa, todos os passageiros e tripulantes estão seguros e foram identificados. Os pilotos foram hospitalizados, conforme informações do aeroporto.

Netanyahu destacou que os viajantes foram "heróis" por atuarem para imobilizar o copiloto. "Eles salvaram muitas vidas. Evitaram uma grande tragédia", afirmou.

De acordo com a agência Reuters, que ouviu autoridades israelenses sob condição de anonimato, o copiloto teria esfaqueado o comandante antes de a tripulação entrar na cabine de comando e assumir o controle da aeronave. Uma das autoridades identificou o suposto agressor como cidadão de Omã.

Netanyahu afirmou que o homem foi preso e interrogado pelas autoridades sauditas. Mais cedo, o ministro da Segurança Nacional, o extremista Itamar Ben-Gir, havia classificado o episódio como uma tentativa de ataque terrorista. Israel Katz, à frente da pasta da Defesa, também afirmou que foi uma ação terrorista.
O premiê, contudo, não usou essas palavras em seu pronunciamento. Apesar disso, Netanyahu disse que o governo está se preparando para outras "potenciais ameaças" e ordenou às autoridades que reforcem a segurança tanto das companhias aéreas israelenses quanto das estrangeiras.

A empresa Flydubai, por sua vez, afirmou que, nesta fase inicial, as razões e motivações do incidente são desconhecidas e serão objeto de uma investigação. A companhia opera diariamente voos de ida e volta entre Dubai e Tel Aviv, uma rota popular entre cidadãos israelenses. O trajeto normalmente atravessa o espaço aéreo da Arábia Saudita e da Jordânia.

Em um vídeo gravado dentro do voo, um passageiro israelense narra que um dos pilotos ficou gravemente ferido e o outro sofreu ferimentos leves depois que um deles foi esfaqueado. As imagens mostram diversos passageiros com roupas ensanguentadas.

Yasmin Abukasis, mãe de uma das passageiras, disse que sua filha Miriam lhe contou ter ouvido gritos e visto um homem com uma faca forçar um dos pilotos contra o chão, e que havia sangue por toda parte.

As autoridades ouvidas pela Reuters disseram que a avaliação atual de Israel é de que o incidente foi uma tentativa de ataque terrorista e não estava relacionado a nenhum tipo de problema de saúde mental de qualquer um dos pilotos.

O voo FZ1073, da Flydubai, partiu de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv e foi desviado para a Arábia Saudita enquanto sobrevoava o espaço aéreo da Jordânia. Segundo o site de monitoramento aéreo Flightradar24, a aeronave emitiu primeiro um sinal geral de emergência e, depois, outro que indicava possível interferência ilícita.

Dados de rastreamento mostram que o Boeing 737 perdeu quase 14 mil pés (4.267 metros) de altitude em menos de 30 segundos antes do primeiro alerta. O avião voltou a emitir o sinal geral de emergência antes de pousar com segurança no aeroporto de Tabuk.

Segundo a imprensa israelense, havia cerca de 150 passageiros a bordo, a maioria israelenses. Não está claro quem acionou os sinais de emergência.

Os passageiros conseguiram pousar em Israel, em outro voo da empresa, no começo da tarde (horário de Brasília). Eles aguardam por oito horas no aeroporto saudita.

A Arábia Saudita, que não mantém relações diplomáticas com Israel, rejeitou pedido de Tel Aviv para que aviões militares israelenses pudessem repatriar os passageiros, segundo duas fontes de segurança. O gabinete de imprensa do governo saudita não comentou o caso.

O incidente com o avião aumenta os temores de segurança em Israel semanas antes das primeiras eleições desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, com a segurança de Israel desempenhando um papel importante na campanha.

O episódio ocorre também poucos dias depois de Netanyahu se reunir com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, durante uma rara visita ao país do Golfo.

Israel e Emirados Árabes Unidos ampliaram a cooperação nas áreas de segurança, defesa e economia desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 2020. No início deste ano, Israel forneceu ao país sistemas de defesa aérea Domo de Ferro e pessoal israelense para operá-los, ajudando na defesa contra ataques iranianos lançados em retaliação a ofensivas de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.