“Um ano sem elevador” é a frase que está escrita em uma folha colada em uma das chapas de madeirite que bloqueiam a entrada do elevador da Estação Galeria, na Asa Sul. Há alguns meses, o Jornal de Brasília mostrou que a falta de acessibilidade no local traz dor de cabeça diariamente para quem precisa do serviço. Nesta terça-feira (29), tanto uma das escadas rolantes quanto o elevador continuam sem funcionar.
Em um período de um ano, de 29 de setembro de 2025 a 29 de setembro de 2026, conforme informações do Painel da Ouvidoria do Governo do Distrito Federal, foram 11 reclamações que envolviam de alguma maneira a acessibilidade no metrô: assistência a pessoa com deficiência (5); fiscalização de acessibilidade (4); dificuldade de locomoção/necessidades especiais (2). Além disso, nesse mesmo período, o sistema registrou 554 reclamações de usuários que se identificaram como pessoas com deficiência.
Na Estação Galeria, são várias as queixas com equipamentos que deveriam trazer acessibilidade. Muitos passam por ali para acessar o Setor Médico Hospitalar Sul (SMHS). É o trajeto diário de diversas pessoas que possuem dificuldade de mobilidade ou algum tipo de deficiência. A falta do elevador e da escada dificulta ainda mais a vida dessas pessoas.
Uma das escadas rolantes também está sem funcionar. Foto: Vítor Ventura/Jornal de BrasíliaAlaine Fonseca, de 28 anos, moradora de Samambaia, utiliza o metrô para levar o filho Arthur, de 6 anos, para tratamento no Hospital Sarah. A criança precisa de cadeira de rodas, e para subir as escadas da Estação Galeria a situação fica ainda mais complicada. “É sempre essa humilhação, ali precisando descer e não tem nenhum suporte. Não aparece um segurança, um vigilante. Preciso ficar pedindo para as pessoas me ajudarem a descer porque o elevador não presta”, relatou Alaine.
No momento em que voltava do Setor Comercial Sul para ir até a estação, ela precisou pedir ajuda a duas pessoas que passavam por ali para conseguir descer com o filho. Enquanto ela carregava o Arthur, os outros dois desciam com a cadeira de rodas. “Eu estou sempre passando pela Estação Galeria por conta do tratamento do meu filho. Todo dia preciso pedir para que alguém me ajude a descer e a subir porque o elevador e a escada não funcionam”, comentou.
Alaine contou que por sorte sempre consegue uma pessoa para ajudá-la a descer ou subir as escadas, mas que não saberia o que fazer caso não conseguisse ninguém. “É um transtorno. Ainda bem que tinham essas duas pessoas abençoadas que me ajudaram porque se não fosse por elas eu teria que ir para a rodoviária”, disse. Sobre a expectativa de que o elevador e a escada sejam consertados, Alaine falou que não espera que os equipamentos voltem a funcionar tão cedo. Ela também cobrou ações para que a situação seja resolvida. “Nessa hora, pedir votos todo mundo pede. Mas para consertar algo que é preciso, todo dia é essa luta aí”, completou.
O que diz o Metrô-DF
Em nota ao JBr, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que o elevador da Estação Galeria passou recentemente por um amplo processo de revitalização e manutenção estrutural, motivado por recorrentes atos de vandalismo, inclusive danos graves aos componentes eletrônicos provocados por oxidação extrema e mau uso.
“Após a conclusão dos reparos, o elevador voltou a operar normalmente na última semana. Na manhã de hoje, o sistema apresentou uma falha pontual. A equipe técnica de manutenção já foi acionada para realizar o diagnóstico e restabelecer o serviço o mais breve possível”, pontuou em nota. Sobre a escada rolante, o Metrô-DF disse estar viabilizando a aquisição dos elementos danificados para que o equipamento volte a operar o mais rápido possível.
“O Metrô-DF lamenta os transtornos causados aos usuários, reforça seu compromisso com a transparência e a acessibilidade de todos os seus usuários e trabalha para que a plena operacionalidade dos equipamentos seja restabelecida com a máxima brevidade. Orientamos que qualquer usuário que tenha dificuldade de mobilidade, peça auxílio a um de nossos agentes de estação, caso seja necessário. Eles são treinados para garantir a segurança de nossos usuários”, c